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Invencionices

O mais legal da cozinha é poder fazer do seu jeito. E até que me digam que estou fazendo errado, vou repetindo. Mas, como pessoa obediente que sou, basta uma correção para deixar de lado aquilo que fazia por pura intuição ou falta de conhecimento. Foi assim com as cebolas... eu as picava do mesmo jeito que um menino no programa do Claude, mas bastou o chef explicar que não era assim que se fazia, pois alterava o sabor das cebolas que nunca mais o fiz, embora continue tentada a saltitar a faca e deixar a cebola miudinha. Então, enquanto ninguém aparecer por aqui para me chamar atenção, vou espalhando minhas invencionices. Eu gostei da que fiz hoje. Foi testada e aprovada pela família. Um bom começo. Fato é que já havia me decidido pela linguiça toscana e a couve-flor que seria simplesmente cozida e temperada para servir no almoço, mas faltava algo mais e não queria fazer a couve-flor gratinada ou num suflê, queria algo tão simples quanto à ideia inicial. Logo me veio a receita ...

Quase fracassei no fricassê

Depois deste título infame, prometo ser breve! Tudo começou quando abri a lata de leite condensado, crente que era creme de leite. Depois de temperar, cozinhar e desfiar o frango, depois que a lata de milho já estava no lixo, depois de já ter saído pra comprar muçarela... Naquele quase, o tempo parou e impediu a tragédia. Rompido o lacre percebi o erro e me dei conta de que aquela última lata na dispensa não era a que eu queria... Parar uma receita no meio do caminho é... chato pra caramba! (Leia-se uma frase bem deselegante no lugar desta...) Mas a solução foi rápida: amido de milho! Isso! Medi 150ml de leite, mais 150ml do caldo de frango e bati com uma colher de sopa de maisena. Pronto! Ficou delícia! Existem milhares de receitas de Fricassê de Frango na internet e todas levam creme de leite. Mas, te garanto que não fez falta. O mais legal da cozinha é poder improvisar, arriscar e provar!  A receita é assim: 2 peitos de frango temperados, cozidos...

Hoje eu vou defenestrar você.

O caldo entornou, sujou fogão, chão , cho entornou, sujou fogç , panelas, queimou a mão e o dedo do pé. Fogo alto que num instante levantou fervura e se perdeu. Veio um cheiro acre, talhado, perdeu-se tudo. O destino é lixo. Tudo engano que minha tolice só percebeu depois de tantos que já sabiam que aquilo não passava de propaganda enganosa. Produto com defeito de fábrica, desses que decorrem de um aborto mal sucedido, feito com restos de terceira linha. Vendia felicidade, conjugando beleza, harmonia e espírito livre. Mas, nas suas engrenagens havia um líquido pegajoso que parecia toxina botulínica misturado com ferrugem. Acho que era veneno. Já lhe amei. Já lhe admirei. Já lhe fui grata. Hoje, somente  o desprezo. Não quero nada na minha vida com prazo de validade vencida. Me feri nas pontas soltas que não vinham descritas na embalagem do produto. Mas também fiz questão de amassar cada uma delas, já que não serviam para nada, além de machucar. Na...

Aos desafetos.

Este post é dedicado aos que passam por aqui, mas fingem que não leram, que torcem a cara para a mixuruquice das minhas receitas, que me julgam tola pelas pequenas coisas que me divertem, mas que, ainda assim, insistem em me visitar. Eu poderia simplesmente mandá-los às favas e plantar batatas, mas adoro favas e quero ficar com as batatas do prêmio de Machado de Assis... Com elas farei toda sorte de simples iguarias e lamberei os beiços com satisfação e alegria. Delas, aproveitarei tudo, até as cascas! E já que você veio, não saia assim, de fininho, vestindo tão somente a carapuça. Leve também a receita, prove e seja feliz! Farofa de casca de batata: 1 punhado generoso de casca de batatas descascadas bem fininhas e picadas 1 dente de alho picado óleo para fritar as cascas  sal 2 xícaras de farinha de mandioca Frite as cascas em óleo quente até que fiquem douradas. Acrescente o alho, a farinha e o sal.  Mexa a farofa até ficar moreninha. Pront...

O feijão nosso de todo dia.

Gonzaguinha disse e as Frenéticas fizeram coro de que dez entre dez brasileiros preferem feijão. Mas eu penei um bocado aqui em casa pra que as minhas filhas fizessem parte desse bloco, até que elas passassem dos cinco anos gastei muitas peneiras amassando o caroço e muito blá blá blá pra convencer a importância daquela dupla dinâmica no prato. Eu mesma não sou assim tão fã. Entre ele e o arroz, fico com o segundo. Mas, numa casa brazuca que se preza, o feijão não pode faltar. Facilita bastante pensar num cardápio que comece com arroz e feijão pra aguentar a maratona de tarefas que a maioria de nós precisa cumprir todo dia. E assim, na insistência e com muita paciência convenci as pirralhas que elas tinham que comer e pronto e quando no limite do meu padecimento nesse estranho paraíso, repeti tanto que virou bordão a singela frase: aqui em casa não é restaurante pra escolher o prato, come-se o prato do dia. Simples assim. Sem dúvida, quando se pensa num alimento nutritivo, o...

Comida de acampamento - parte 2: carne moída

O céu de outono é sempre o mais bonito a qualquer hora do dia. E assim, parada no meio do quintal, eu tenho a visão ampla e privilegiada de um enorme céu azul sobre minha cabeça. De um lado, a casa que vai sendo transformada lentamente, tanto pela quantidade de coisas que precisam ser feitas, tanto pela morosidade e falta de compromisso daqueles que se intitulam "profissionais". Do outro lado, a edícula mínima onde vivemos nestes últimos seis meses. Sim, já se passaram seis meses... O céu, azul claro ou escuro, cinza ou todo branquinho, me conforta.  Eu tinha preguiça de iniciar a reforma da casa, pois sabia que o tempo seria muito maior do que o previsto, mas me preparei para viver de forma mínima durante o tempo que fosse necessário. E assim tem sido. Não sei se minha família estava preparada para isso, não sei que expectativas criaram, mas tento fazer com que este tempo, tão difícil na vida da gente, seja aproveitado da melhor maneira possível. Esse momento ficará par...

Bolo Bolado

Eu gosto dessa onda de fábrica de bolos caseiros. Tem cada um mais gostoso que o outro e não tem mesmo aquele gosto de bolo feito em padaria ou supermercado. Também passa longe do sabor do bolinho industrializado. Já provei vários e gostei de todos. Mas, será que a vida anda assim tão apressada que nem dá tempo de bater um bolo?! Eu mesma não tenho feito muitos ultimamente. Depois que me "mudei" não tenho tido muito ânimo para cozinhar. Já reclamei aqui... cozinha apertada, sem geladeira, a despensa improvisada em caixas... chato! E entendo que, naquela correria de todo dia nem sempre é possível ter todos os ingredientes em casa. Faz parte da minha lista de compras tê-los sempre à mão, mas farinhas e fermento estragam com facilidade, sei que muita gente prefere não comprar porque sabe que vai ter que jogar fora. E assim seguimos adiante, alimentando a pressa e a preguiça, perdendo tempo com nada, com os outros. E aqueles que importam de verdade, ficam ali, de lado. A...